quinta-feira, 21 de setembro de 2017

A Sociologia das religiões de Max Weber



     Texto retirado do link: https://educacao.uol.com.br/disciplinas/sociologia/religiao-o-papel-que-as-crencas-religiosas-desempenham-na-vida-social.htm

      A sociologia das religiões de Max Weber



     Nascido em Efurt, na Alemanha, Max Weber (1864-1920) é um dos principais pensadores que colaboraram para a construção da Sociologia no mundo.



     Ele atribuiu às crenças e valores religiosos um papel importante na conduta dos indivíduos em sociedade. A sociologia compreensiva formulada por Weber se contrapõe ao determinismo econômico ao enfatizar que nem sempre as diversas esferas da vida social derivam da estrutura econômica de uma sociedade. Há casos que ocorre o inverso, isto é, as ideias, valores éticos e concepções de mundo podem desempenhar um papel crucial na produção da vida material. Sendo assim, atribui-se à religião um papel autônomo.

     Religiosidade e racionalidade econômica

     Weber atribuiu às crenças e valores religiosos um papel importante na conduta dos indivíduos em sociedade. Num dos seus livros mais proeminentes, "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo", ele defendeu a tese de que a religião protestante exerceu uma poderosa influência no surgimento do modo de produção capitalista.
Weber descreveu e analisou os valores e princípios éticos constitutivos da crença religiosa protestante e apontou sua adequação à racionalidade inerente ao empreendimento capitalista.

     Ethos calvinista e espírito do capitalismo

     A Reforma Protestante foi um movimento religioso que se contrapôs aos preceitos e dogmas do catolicismo. A partir dela, surgiram várias seitas protestantes, entre elas as que se basearam no pensamento de João Calvino.
     Weber observou que a expansão das seitas calvinistas na Inglaterra coincidiu com o aparecimento do modo de produção capitalista. Os preceitos religiosos constitutivos da doutrina calvinista levaram seus adeptos a adotarem um estilo de vida metódico em todos os aspectos, denominado por Weber de ascetismo.

     O ethos de vida característico do ascetismo calvinista levava os crentes a valorizarem o trabalho secular (mundano), o lucro e a acumulação de riquezas materiais. Enquanto o católico buscava assegurar a salvação pela virtude, pelo arrependimento e pela penitência, os adeptos do calvinismo - e do protestantismo de modo geral - viviam sem saber se seriam salvos ou condenados.

     Essa incerteza levava-os a buscarem, no decorrer de suas vidas, possíveis sinais de concessão da graça divina. O enriquecimento econômico, por exemplo, era um sinal que Deus daria aos predestinados à salvação, aos "escolhidos". Por conta disso, os calvinistas desenvolveram um rígido e disciplinado modo vida, que os levava a concentrarem seus esforços na acumulação material.

     Religiões orientais

     É interessante compararmos "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo" com outros estudos de Weber, em especial aqueles que se referem às religiões asiáticas, como, por exemplo, o hinduísmo e outras religiões que são a base das sociedades de castas.
Nesses casos, a religião serviria para manter uma ordem social e econômica acentuadamente hierarquizada e estática, ou seja, sem qualquer possibilidade de haver mobilidade e mudança social. O caso da Índia é interessante.

     Há décadas, o Partido Comunista da Índia, considerado uma das grandes forças políticas daquele país, tentou em vão aplicar programas políticos de melhoria das condições de vida das populações mais pobres. Sempre houve uma enorme resistência social, que levou ao fracasso inúmeros programas políticos de caráter socialista (que preconizavam igualdade e justiça social), pois a sociedade de castas está fortemente assentada sobre preceitos religiosos muito arraigados, que concebem as desigualdades e diferenças sociais como manifestações da vontade divina.

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